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Quero o pequeno-almoço na cama. Um beijo quando menos espero. Uma mão, a parar-me o braço, a obrigar-me a virar a cara para ouvir um "amo-te". Quero um olhar que penetra a alma. Quero um lugar quente à minha espera do outro lado da cama. Quero a voz doce e certa do outro lado do telefone. Quero saber que sou amada. Quero saber que sou especial, que sou única. Quero saber que tens orgulho por me ter ao teu lado. Quero ser surpreendida. Quero ser feliz contigo.
Acordei com o sol a entrar pela janela.Estava frio mas o raio, que agora me iluminava o canto do olho vinha quente, bem mais quente que ontem. A Primavera estava a chegar.Demorei-me na cama, colada à almofada, com o cabelo feito em trança, com as mãos viradas para baixo, entre as pernas. Decidi levantar-me depois de muito custo, já os segundos se tinham tornado minutos.Abri a janela e encontrei um Mundo novo:As flores eram mais vivas. O céu de um azul claro nítido. As pessoas, notei, tendiam a ser mais bonitas. O ar era mais puro. O sol era amarelão, de um círculo perfeito. Até aquele cartaz, colado na esquina do prédio da frente, não me irritava como antes, aliás, até dava um toque de irreverência, de urbanismo à minha rua.Tudo tinha cheiro a mel, a pó de talco, a chocolate quente, a margaridas, a massa de pão de ló... a manteiga de amendoim."Querida, dormiste bem?"E eu aí lembrei-me: "Ah, estou apaixonada"
A Joana olhou para a janela. A chuva tinha parado de cair. Ao longe, o sol aparecia, ainda tímido. Do lado esquerdo um arco-íris, esbatido é certo mas...era um arco-íris.Foi até à sala. Na mesa, ao pé da lareira, havia um livro. "Volta ao Mundo em 80 dias". Nunca tinha visto o Mundo. O Mundo da Joana era, ali mesmo, na quinta dos avós, no quarto que um dia pertenceu à mãe, no jardim, junto aos coelhos e aos cães. Naquela terra com minhocas. No poço que ainda existia, coladinho ao quintal. O Mundo eram as cores da relva, as texturas das flores, o cheiro a torrada com manteiga pela manhã. O Mundo era dentro dela. O Mundo eram todos aqueles sentimentos que tinha no peito, que às vezes ela sentia tão maiores que ela...como se fosse explodir.O Mundo...pensava ela, não podia ser visto em 80 dias. O Mundo, achou a Joana, era para ser vivido e não "voltado".E nisto chegou o avô. Olhou para ela, passou o braço pelo ombro, encostou-a às pernas. A Joana olhou para cima e disse. "Gosto do Mundo. Gosto do meu Mundo. E gosto de ti até ao coração."
Tempo. Muito tempo desde a última postagem.Deixei de escrever como fazia. Tempo, falta de tempo.Acima de tudo foi o cansaço e algum desgaste de espírito. Mas uma amiga deu pela falta e reclamou o direito de ler os meus pensamentos mais profundos. Prometi-lhe que voltava a escrever e aqui estou eu. Vou fazê-lo.Até já!
Sento-me aqui, hoje, um mês depois do último post. Curiosamente, deveria estar num outro ponto da vida...deveria...mas não estou.Estou de volta ao país...e de volta ao mesmo lugar. Ao lugar dos porquês.As dúvidas continuam a assolar-me...mas hoje, pelo menos hoje, estou mais calma. O caminho é para a frente. E eu sei, apesar de me ferir os ossos, sei que há coisas que apesar da luta não se atingem. Há coisas que não há volta a dar. Só nunca tinha vivido isto, desta forma. Nunca pensei que se pudesse, de facto, amar em vão...mas pode-se...e ninguém te dá um prémio de esforço por isso!Agora?Bom...agora?!? Essa é a questão...a grande questão!Só sei que tenho medo do que me espera.Tenho medo, como qualquer guerreiro, de seguir em frente. Porque se não tivesse medo medo, não seria coragem.Vou em frente, porque acredito e confio em mim. Sei que estás aí, a olhar por mim. Conto contigo, agora, mais do que nunca. Dá-me força e eu, prometo, vou mostrar que mereço!A vida é assim. E vai melhorar!
Porque raio quando parece que estamos no caminho certo, a reorganizar ideias e a arrumar o coração do lado certo voltamos à estaca zero, parecendo estar pior do que antes?Porque é que, mesmo quando o Mundo nos grita "HEY, continua em frente porque ninguém parou a vida por ti", ficamos paradas, no sinal verde...a vê-lo mudar para amarelo e vermelho?Porque é que custa tanto desprendermo-nos do passado?É medo do futuro?É porque, de facto, queriamos que o passado fosse o presente?Porque é que amamos quem não nos ama?Porquê?Hoje só penso...Porquê?
Não sou pessoa de fazer balanços em aniversários. Nunca fui. Julgo que nunca o vou ser.Sou, sim, uma pessoa de fazer balanços quando a vida pede, nas horas mais inoportunas, nos momentos mais dolorosos e até quando o cansaço me seca. Mas nos aniversários, não.Ainda assim, esta é uma idade especial. O chamado "1/4 de século", que toda a gente fez questão de referir. Sinto-me maravilhosa. Melhor do que aos 20 e a caminho de muita sabedoria...por isso, estou feliz.Mas faltam coisas na minha vida. Coisas que nunca irei recuperar e coisas que um dia vou encontrar. Neste momento, apesar de ser inoportuno, doloroso e cansativo, estou em balanço. Estou inclusivamente a balançar o que pesa mais: se o que perdi...se o que sei que ainda me espera. Não é o tipo de coisa que se decide. A resposta vai surgir-me sem aviso e, desconfio, será quando eu menos esperar e vai virar a minha vida do avesso, em bom. (em bom não, em esmagadoramente bom).De referir, e hei-de "postar" aqui toda a história, que a música do meu ano é o FOOTLOOSE. Quem nasce ao som de uma alegria contagiante como esta, está destinada a viver a mil, com um sorriso na cara.Fiz 25 anos. Vou a caminho da felicidade...